estar a praticar a minha apresentação de português, mas no meio de tantos heterónimos, personagens imaginárias e metáforas sentia-me a sufocar. Saltei para o sofá e apoiei o portátil nas minhas pernas que outrora estiveram apoiadas nos teus joelhos. Revejo as fotografias de sábado à noite e encontro uma que me faz pensar, uma entre tantas reconheço, mas esta saltou-me especialmente à vista e ao coração. Estou apoiada no teu peito, com as mãos na tua gravata. A minha sombra dourada e os brilhantes que espalhei para ombros, estão em perfeita simbiose, assim como o relógio preto que se destaca e contrasta contigo. Estás com um blazer preto, nesta altura já com demasiados brilhantes para que não se notem os pontos fluorescentes, com uma camisa branca que curiosamente, tem uma afinidade de cem por cento com o teu sorriso. Mordes-me o ombro, com a tua delicadeza de sempre e é aqui que sorrio e afirmo, talvez pela milésima vez: "Encontrámo-nos no meio de milhões de pessoas. Vês bem a sorte que temos?"
As minhas bochechas de boneca coram suavemente, e a minha barriga transforma-se numa gaiola de borboletas (meu deus, estou melhor que fernando pessoa nas metáforas).
O telemóvel toca e corta-me a linha de pensamento, vou beber um café e arranjar-me para sair de casa. Estou com uma vontade enorme de te abraçar, mais do que isso, estou com uma vontade enorme de te sussurrar bem perto do ouvido, as palavras libertadas pelo meu coração a cada diástole.
| Fotografia por Daniela Almeida |
1 comentário:
Eu, por outro lado, deveria estar a ler e reler decretos-lei sobre Segurança no Trabalho.
Mas não, apaixonei-me pelos nossos retratos, capturados por uma máquina que desenha com luz, os nossos contrastes. E nao escolho apenas uma fotográfia, mas sim todas, porque é neste elenco que eu junto todas as emoçoes que sinto e vivo contigo, flash após flash.
Só porque somos a metade um do outro, o meu coraçao ama-te a cada sístole cardíaca!
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