quarta-feira, 6 de outubro de 2010

#6 Letter to a stranger

Paços de Brandão, 6 de Outubro de 2010
Olá estranho,
já não te escrevo à bastante tempo, aliás, já não escrevo a ninguém à bastante tempo. Nunca mais senti essa necessidade. É egoísta, eu sei, mas desde à uns meses para cá que me sinto perfeitamente completa, com aquela força que sempre me falaste. Neste preciso momento deves estar a pensar que só te escrevo quando preciso, quando estou em baixo, não é verdade, agora já não, prometo que vou voltar a escrever-te todas as semanas como antes e vou guardar as nossas cartinhas na caixinha de madeira, como antes, até tu voltares para mim, como todos os anos, para recordar-mos os tempo que passamos juntos, e então tu voltares a partir, para o teu mundo de sonhos. 
Conhece-mo-nos à tanto tempo e eu acho que nunca te decifrei por dentro, mesmo quando jurava a pés juntos que te conhecia como a palma da minha mão. Sabes, acho que é melhor assim. 
Já deves ter percebido que, hoje, não me apetece escrever, que te estou cansada e pronta para ir para o ninho, e é mesmo assim. Talvez amanha te escreva uma carta a sério, a contar as novidades todas, que por sinal são bastantes, e para te dizer, apesar de tudo, não desapareceste do meu mundo.
(ainda tenho o teu colar, aliás, o agora, meu colar)
Mariana Mello

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